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Acordo Mercosul-UE fechado: solo forte garante competitividade global



Após 25 anos de negociações iniciadas em 1999, o acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia foi finalmente anunciado em 6 de dezembro de 2024, durante a Cúpula do Mercosul em Montevidéu, Uruguai. O tratado integra dois dos maiores blocos econômicos do mundo: 718 milhões de pessoas e PIB combinado de aproximadamente US$ 22 trilhões.

Para o agronegócio brasileiro, isso representa oportunidades sem precedentes — mas também exigências rigorosas de qualidade que começam no solo.

O acordo prevê que 92% dos produtos originários do Mercosul e 95% das linhas tarifárias ficarão livres de taxações na UE. Para comparação, atualmente apenas 24% das exportações brasileiras para a Europa são isentas de tarifas.

Produtos como café e sete tipos de frutas (abacate, limão, lima, melão, melancia, uva de mesa e maçã) entrarão na UE sem tarifas e sem cotas. Outros produtos agropecuários terão cotas com tarifas reduzidas progressivamente até zerar em prazos de 4 a 15 anos.

Embora a China continue como principal destino das exportações brasileiras do agronegócio (30% do total, equivalente a US$ 49,7 bilhões em 2024), a União Europeia representa o segundo maior mercado com 14% (US$ 23,2 bilhões). Com a eliminação progressiva das tarifas, esse percentual tende a crescer significativamente.

Qualidade não é opcional — é obrigatória

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, foi enfática: “As normas sanitárias e alimentares europeias continuam a ser intocáveis”. Isso significa que exportadores brasileiros precisarão atender aos mais rigorosos padrões internacionais de qualidade.

E qualidade começa no solo.

Como o calcário garante padrões europeus?

Produtos agrícolas de qualidade superior dependem fundamentalmente de plantas saudáveis, que por sua vez dependem de solos adequadamente nutridos. A União Europeia exige:

1. Ausência de contaminantes: Solos com pH adequado reduzem a absorção de metais pesados pelas plantas. Cálcio e magnésio, fornecidos pelo calcário dolomítico, competem com metais tóxicos pelos sítios de absorção radicular.

2. Valor nutricional superior: Plantas cultivadas em solos com pH correto apresentam maior concentração de nutrientes essenciais. Estudos demonstram que frutas e vegetais de solos corrigidos têm até 30% mais vitaminas e minerais.

3. Menor resíduo de defensivos: Plantas bem nutridas desde a raiz são mais resistentes a pragas e doenças, reduzindo necessidade de aplicações químicas — requisito crescente dos mercados europeus.

4. Rastreabilidade de qualidade: A UE valoriza sistemas produtivos certificados. Produtores que documentam práticas de manejo do solo (incluindo histórico de calagem) têm vantagem competitiva.

Competitividade versus França

A resistência francesa ao acordo expõe exatamente a força do agronegócio brasileiro: eficiência produtiva baseada em tecnologia e manejo adequado. Enquanto a França teme perder competitividade, o Brasil demonstra que investimento em fundamentos (como correção de solo) gera produtos de qualidade superior a custos competitivos.

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA) aponta que o acordo pode gerar aumento de 0,46% na economia brasileira entre 2024 e 2040, além de crescimento de 1,49% nos investimentos.

Oportunidades concretas para produtores

Com o acordo Mercosul-UE, produtores brasileiros terão acesso facilitado ao mercado europeu de:

Soja: Principal produto do agronegócio brasileiro (R$ 334,1 bilhões em VBP 2024), com demanda europeia crescente por proteína vegetal.

Carnes: O acordo prevê cota de 99 mil toneladas de carne bovina, abaixo das atuais 196 mil que já entram, mas com tarifas zeradas progressivamente.

Café: Produto com entrada livre, sem tarifas nem cotas.

Frutas tropicais: Sete tipos com livre circulação e alta demanda no mercado europeu.

Etanol: Cota específica com tarifas reduzidas, mercado em expansão devido às metas de descarbonização europeias.

Timing estratégico

O anúncio do acordo ocorre simultaneamente à sanção da Lei dos Bioinsumos (24 de dezembro) e em contexto de guerra tarifária iniciada pelos EUA. Analistas apontam que as tarifas protecionistas norte-americanas podem acelerar a implementação do acordo Mercosul-UE, criando alternativa estratégica aos mercados tradicionais.

O acordo ainda precisa passar por revisão jurídica, tradução para idiomas oficiais, assinatura formal e ratificação pelos parlamentos dos países envolvidos. Esse processo pode levar de 2 a 4 anos, tempo que produtores devem usar estrategicamente para:

1. Investir em calagem adequada agora: Solo corrigido leva 90 dias para atingir pH ideal. Comece já para estar pronto quando o acordo entrar em vigor.

2. Buscar certificações: Programas como GlobalGAP, Rainforest Alliance e certificações orgânicas são valorizados no mercado europeu.

3. Documentar práticas sustentáveis: A UE exige rastreabilidade. Mantenha registros detalhados de todas as práticas de manejo, incluindo análises de solo e histórico de calagem.

4. Conhecer exigências fitossanitárias: Cada produto tem requisitos específicos. Busque informação junto ao Ministério da Agricultura.

5. Fortalecer associações e cooperativas: Produtores organizados têm mais força para atender exigências de volume e padronização.

Conclusão: Base sólida para oportunidade global

O acordo Mercosul-UE representa a maior oportunidade de expansão do agronegócio brasileiro nas últimas décadas. Mas oportunidades só se concretizam para quem está preparado.

A base dessa preparação é literal: solo adequadamente corrigido com calcário dolomítico de qualidade. Produtos de excelência, capazes de atender aos exigentes padrões europeus, nascem de solos saudáveis, ricos em cálcio e magnésio, com pH adequado.

O mercado europeu está se abrindo. A pergunta é: seu solo está pronto para essa oportunidade?

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