CONAB confirma em fevereiro: safra de 325,7 milhões é recorde

Em 13 de fevereiro de 2025, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) divulgou o 5º Levantamento da Safra de Grãos 2024/25, trazendo confirmação oficial: o Brasil está a caminho de colher 325,7 milhões de toneladas de grãos — a maior safra da história brasileira.
O volume representa crescimento de 9,4% em relação à safra anterior (297,7 milhões de toneladas), consolidando o país como superpotência agrícola mundial. O presidente Lula resumiu o momento: “O Brasil terá em 2025 a maior safra agrícola da nossa história, com previsão de 325,7 milhões de toneladas”.
O resultado histórico é reflexo de dois fatores combinados:
1. Expansão de área: 81,6 milhões de hectares cultivados, crescimento de 2,1% versus safra anterior.
2. Recuperação da produtividade: 3.990 kg/ha de média nacional, impressionante recuperação de 7,1% em relação ao ciclo 2023/24, quando secas e altas temperaturas prejudicaram rendimentos.
Esse segundo fator — a recuperação da produtividade — é especialmente significativo e está diretamente ligado ao manejo adequado do solo.
O papel invisível do calcário no recorde
Edegar Pretto, presidente da CONAB, destacou: “O resultado é reflexo tanto do aumento na área cultivada como na recuperação da produtividade média das lavouras. As condições climáticas mais favoráveis, combinadas com o alto grau de profissionalismo dos produtores que adotam tecnologias de forma crescente, explicam esse resultado”.
Entre as “tecnologias” mencionadas, uma das mais fundamentais — embora frequentemente subestimada — é a correção adequada do solo com calcário dolomítico.
Produtores que investiram em calagem entre julho e setembro de 2024, seguindo recomendações técnicas baseadas em análise de solo, estão agora colhendo os frutos dessa decisão. A produtividade de 3.990 kg/ha não acontece por acaso — é resultado direto de solos com pH adequado, níveis corretos de cálcio e magnésio, e atividade microbiológica otimizada.
Soja: 168,4 milhões de toneladas
A soja, principal produto cultivado, deve alcançar 168,4 milhões de toneladas segundo a CONAB — crescimento de 14,3% versus safra anterior. Embora o IBGE, em levantamento paralelo divulgado no mesmo dia, tenha estimado volume ligeiramente inferior (164,3 milhões de toneladas devido a perdas no Rio Grande do Sul), ambos concordam: será safra recorde histórica.
A produtividade média nacional da soja recuperou-se fortemente, saindo dos 3.201 kg/ha da safra passada (prejudicada por clima) para estimados 3.509-3.621 kg/ha na safra atual. Esse salto de mais de 300 kg/ha por hectare reflete, em grande medida, solos adequadamente preparados e corrigidos.
Milho e outros grãos também crescem
O milho, somadas as três safras, deve atingir 122 milhões de toneladas, crescimento de 5,5% versus ciclo anterior. O resultado reflete não apenas aumento de área, mas também recuperação da produtividade média nas lavouras.
Arroz e feijão, alimentos essenciais à mesa do brasileiro, também apresentam crescimento:
- Arroz: 12,3-12,4 milhões de toneladas (+8,1% a +20,6% dependendo da fonte)
- Feijão: 3,3-3,4 milhões de toneladas, recuperando área e produtividade
O presidente Lula destacou a importância desses números: “Outra notícia extraordinária é o aumento na produção de produtos para o nosso consumo interno. O arroz e o feijão, por exemplo, terão aumento tanto de área plantada como também na produtividade”.
Impacto na economia e preços
O ministro da Agricultura, Carlos Fávaro, apontou que o aumento da produção deve contribuir para estabilidade nos preços dos alimentos: “O Brasil se consolida como um grande produtor de alimentos e, em 2025, o aumento da produção fará com que a estabilidade de preços dos alimentos possa ser estabelecida”.
O aumento nas exportações de arroz, projetadas em 2 milhões de toneladas, garantirá abastecimento interno e ainda permitirá geração de divisas. O mesmo vale para milho, cuja demanda interna cresce puxada pela produção de etanol e proteína animal.
Solo: o fundamento econômico
Para produtores, o levantamento de fevereiro traz lição econômica clara: investimento em manejo adequado do solo não é custo — é fator de produção fundamental que se traduz diretamente em quilos colhidos por hectare.
Considerando soja a R$ 120/saca de 60 kg:
- Produtividade baixa (solo não corrigido): 2.800 kg/ha = R$ 5.600/ha
- Produtividade nacional atual (solo manejado): 3.990 kg/ha = R$ 7.980/ha
- Diferença: R$ 2.380/ha apenas na receita bruta
Esse diferencial de R$ 2.380/ha supera, em muito, o custo de calagem (tipicamente R$ 500-800/ha), demonstrando retorno sobre investimento superior a 300%.
Planejamento para 2025/26 já começa
Com a safra 2024/25 caminhando para colheita recorde, produtores já devem planejar o próximo ciclo. O ministro Carlos Fávaro anunciou que o presidente determinou início das discussões sobre novo Plano Safra: “O presidente determinou que a gente já comece a discutir medidas de estímulo, um novo Plano Safra que estimule mais, principalmente os produtos que chegam à mesa da população”.
Para produtores, o planejamento deve incluir:
1. Análise de solo pós-colheita: Avaliar o estado nutricional após ciclo produtivo intenso.
2. Calagem de reposição: Solo corrigido anos atrás precisa de manutenção periódica.
3. Documentação de práticas: Manter registros de manejo facilita otimização contínua.
4. Estudo de mercado: Antecipar tendências para próxima safra.
5. Acesso a crédito: Organizar documentação para linhas do novo Plano Safra.
Conclusão: consolidação da agricultura de precisão
A safra recorde de 325,7 milhões de toneladas não é evento isolado — é consolidação de décadas de evolução tecnológica, profissionalização do produtor rural e, fundamentalmente, investimento consistente em manejo adequado do solo.
O salto na produtividade média nacional (7,1% de recuperação) demonstra que, quando clima favorece e solo está adequadamente preparado, a agricultura brasileira atinge seu máximo potencial.
Por trás de cada quilograma desses 325,7 milhões de toneladas está decisão técnica tomada meses antes: análise de solo, aplicação de calcário dolomítico na dose certa, manejo adequado de nutrientes.
Fevereiro de 2025 marca confirmação oficial: agricultura baseada em ciência, tecnologia e manejo correto do solo não apenas funciona — ela bate recordes históricos.