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Safra 2024/25 caminha para recorde: 322 milhões de toneladas



Janeiro de 2025 traz confirmações empolgantes: as projeções oficiais da Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) e do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontam que o Brasil está a caminho de colher uma safra histórica de 322 a 322,6 milhões de toneladas de grãos no ciclo 2024/25.

Esse volume representa crescimento impressionante de 8% a 10,2% em relação à safra anterior, com incremento absoluto de 24,6 a 29,9 milhões de toneladas. Caso confirmado, será o maior volume já registrado na história do agronegócio brasileiro.

Soja lidera o crescimento histórico

A soja continua como carro-chefe, com produção estimada entre 165,9 e 167,9 milhões de toneladas — crescimento de 14,4% a 15,4% versus safra anterior. A área plantada expandiu 2,8%, chegando a 47,36 milhões de hectares.

Mas o segredo do recorde não está apenas na área. A produtividade média nacional das lavouras deve atingir marca histórica: 3.509 a 3.621 kg/ha, representando recuperação de 9,6% em relação ao ciclo passado, quando secas e altas temperaturas prejudicaram rendimento em várias regiões.

O que explica esse salto na produtividade?

Segundo Carlos Guedes, gerente de Agricultura do IBGE, dois fatores foram decisivos: “Tem chovido de forma satisfatória na maioria das regiões produtoras, o que beneficia as lavouras que estão em campo, como a soja e o milho. E os produtores ampliaram os investimentos nas lavouras porque os preços na época do plantio estavam atrativos”.

Mas há um terceiro fator fundamental, muitas vezes invisível aos olhos: o manejo adequado do solo. Produtores que realizaram calagem correta entre julho e setembro de 2024 estão agora colhendo resultados excepcionais.

Calagem: o alicerce invisível do recorde

Estados do Centro-Oeste, principal região produtora, registram produtividades recordes:

  • Mato Grosso: 3.897 kg/ha (maior já registrada no estado)
  • Goiás: 4.183 kg/ha (a mais alta produtividade nacional)

Esses números não são coincidência. São resultado direto de décadas de investimento em correção e manejo adequado do solo. Regiões que historicamente aplicam calcário dolomítico regularmente apresentam produtividades 30% a 50% superiores às de solos ácidos.

A química por trás do recorde

O calcário dolomítico cria as condições perfeitas para que plantas expressem seu máximo potencial genético:

1. pH adequado (6,0-7,5): Nutrientes ficam disponíveis nas proporções ideais. Fósforo, que tende a “sumir” em solos ácidos, fica acessível às raízes.

2. Cálcio estrutural: Essencial para formação de paredes celulares e desenvolvimento radicular profundo. Raízes mais profundas acessam água e nutrientes que plantas em solo ácido não alcançam.

3. Magnésio fotossintético: Componente central da clorofila. Plantas bem supridas em magnésio convertem luz solar em energia com máxima eficiência.

4. Atividade microbiana: Microrganismos benéficos, incluindo aqueles que fixam nitrogênio biologicamente, prosperam em solos com pH corrigido. Isso reduz dependência de fertilizantes nitrogenados.

5. Resistência ao estresse: Plantas bem nutridas em cálcio e magnésio suportam melhor períodos de estiagem e recuperam-se mais rapidamente de estresses climáticos.

Outros grãos também batem recordes

Milho deve alcançar 119,7 a 124,7 milhões de toneladas (crescimento de 3,5% a 9,3%), arroz 12 a 12,4 milhões de toneladas (recuperação de 8,1%), e algodão deve atingir produção histórica próxima a 3,9 milhões de toneladas de pluma.

Contexto econômico favorável

O PIB do agronegócio cresceu impressionantes 6,49% no primeiro trimestre de 2025, segundo CNA e Cepea. As exportações de janeiro totalizaram US$ 11 bilhões — segundo maior valor da série histórica para o mês.

Seis setores superaram US$ 1 bilhão em exportações mensais: carnes, produtos florestais, café, complexo soja, complexo sucroalcooleiro e cereais. O Brasil abriu 24 novos mercados internacionais em janeiro, consolidando posição como potência agrícola global.

Lições para futuras safras

O recorde de 2024/25 ensina lições valiosas:

1. Planejamento antecipado compensa: Produtores que investiram em calagem meses antes do plantio estão colhendo os melhores resultados.

2. Análise de solo é investimento, não custo: Conhecer exatamente as necessidades do solo permite correção precisa e economia de insumos.

3. PRNT importa: Calcário com PRNT próximo a 100% garante máxima eficiência e melhor relação custo-benefício.

4. Clima favorável potencializa, mas não substitui manejo: Mesmo com chuvas adequadas, solos ácidos não expressam todo o potencial produtivo.

5. Continuidade é essencial: Calagem não é ação pontual. Solos corrigidos precisam de manutenção periódica baseada em análises.

Desafio: manter consistência

A safra recorde de 2024/25 estabelece novo patamar para a agricultura brasileira. O desafio agora é manter esse nível de produtividade de forma consistente, o que exige investimento contínuo em manejo adequado do solo.

Fenômenos climáticos como La Niña podem trazer irregularidades nas próximas safras. Mas produtores que mantêm solos adequadamente corrigidos com calcário dolomítico têm muito mais resiliência para enfrentar adversidades climáticas.

O recorde de 322 milhões de toneladas não é apenas número impressionante — é testemunho do que agricultura baseada em ciência, tecnologia e manejo adequado do solo pode alcançar.

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