Solo resiliente: como o calcário protege lavouras da seca extrema

Agosto de 2024 entrou para história como um dos períodos mais críticos para a agricultura brasileira. Com mais de 100 dias sem chuva em diversas regiões e 5,65 milhões de hectares queimados apenas neste mês, o cenário exige estratégias eficientes de proteção das lavouras. O calcário dolomítico surge como ferramenta fundamental para construir solos resilientes à estiagem.
A Crise Climática de Agosto
O CEMADEN registrou condições de seca extrema em 200 municípios brasileiros, com destaque para São Paulo (82 municípios), Minas Gerais (52), Goiás (12) e Mato Grosso (24). O Índice Integrado de Seca atingiu níveis alarmantes, com prejuízos estimados em R$ 14,7 bilhões para o setor agropecuário.
As queimadas afetaram principalmente áreas de pastagem, cana-de-açúcar e culturas em pousio. Lavouras de soja sofreram com perda de matéria orgânica e cobertura do solo, enquanto cafezais enfrentaram déficit hídrico severo na zona radicular.
Como o calcário fortalece o solo
A correção adequada do solo com calcário dolomítico constrói fundação sólida para resistência à seca. O produto melhora a estrutura física do solo, aumentando capacidade de retenção de água. Solos com pH corrigido entre 6,0 e 7,5 apresentam maior eficiência no aproveitamento da umidade disponível.
O magnésio fornecido pelo dolomítico desempenha papel crucial em períodos críticos. Este nutriente regula a abertura e fechamento dos estômatos, controlando a transpiração das plantas. Em situações de estresse hídrico, plantas bem nutridas com magnésio gerenciam melhor seus recursos hídricos.
Preparação para próxima safra
Com janela de plantio aproximando-se, produtores que realizaram calagem entre junho e julho agora colhem benefícios. Solos corrigidos apresentam sistema radicular mais profundo e vigoroso, explorando maior volume de terra em busca de água e nutrientes.
A matéria orgânica preservada pela ausência de queimadas, combinada com solo adequadamente corrigido, pode aumentar em até 40% a capacidade de armazenamento de água. Essa reserva adicional representa diferença entre perda total e colheita satisfatória em anos de estiagem.
Investimento em Resiliência
Apesar do cenário desafiador, o agronegócio brasileiro manteve exportações de US$ 14 bilhões em agosto de 2024. O Brasil abriu 100 novos mercados em apenas 8 meses, demonstrando força e competitividade. Propriedades que investiram em correção de solo estão melhor posicionadas para enfrentar adversidades climáticas.
Com previsões indicando La Niña para próximos meses e eventos climáticos extremos cada vez mais frequentes, preparar o solo com calcário dolomítico não é opcional – é estratégia de sobrevivência e prosperidade no campo.